“Mario Balotelli”


Não há nenhuma ilusão sobre a integração total das raças, tampouco o porvir da democracia racial no mundo. Sem triunfalismos, sem evocações demagógicas. Mas o mundo vai mudando em sutilezas. Muitas vezes esconde as mazelas, o perverso em gestos pequenos ou em movimentos simulados. A neblina de nossos tempos

Os dois gols do atacante italiano de pais ganeses, Mario Balotelli, contra a Alemanha na semifinal da Eurocopa são um emblema do mundo enviesado. Ele que foi abandonado quando criança, criado por país adotivos, um negro num país dominantemente branco. São estas histórias que mais confundem do que traduzem. Representam muito mais do que pensamos dominar.

Em nossos exercícios de pieguice sonhamos ser esta  uma história de sagração das raças. Jovem de 21 anos, o atacante se destacou com gols e polêmicas na Inter de Milão. Vivia às turras com o técnico português José Mourinho (a ditadura dos técnicos de futebol), entre gols geniais e indisciplina. Foi para o Manchester City e continua a saga de irreverências.

Não é o exemplo, não é bonzinho, não é “grato” por estar onde esta. Balotelli é o gol e seu físico que o faz ganhar grana e sair da lista de cidadãos de segunda classe. Sabe que escapou por um triz e exerce este “direito”.

Balotelli não representa pouca coisa, ele colore uma seleção branca, da terra de Mussolini, da terra do time racista, Lázio, onde parte considerável do pensamento odeia tudo que não seja parecido com o que é igual a si. Não é o caso de jogar toda uma nação na cota racista, seria a outra face da estupidez. Mas é emblemático, como já disse, Balotelli bagunça a lógica.

Ele sofre  xingamentos jogo a jogo. Há muitos olhos e desejos à espreita de seus erros. Como gladiador pós-moderno fecha o rosto e se esconde na auto-confiança e repele tudo com atitudes agressivas. Marrento. Guerra surda.

É um tempo de contradições, onde a intolerância cresce, e uma potencial vitima dessa intolerância, por um desvio estatístico, vira herói de um país em crise economica, em crise de autoestima. É um momento que mais oscila do que afirma.

Balotelli é a anti-afirmação de nossos tempos.

About these ads
1 comentário
  1. Muuuuuito bom, Ricardo! Que os craques comportados continuem com seu dedido pro céu, prefiro mil vezes a marra. Se a cor da pele da marra é negra, então, aí mesmo é que eu deito e rolo!!!!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 3.219 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: