arquivo

Arquivo mensal: março 2009

O vocal anasalado do cantor e guitarrista Eef Barzelay  –  revelando inequívocas influências de Neil Young –  e o nome  retirado de um personagem de William Burroughs, jogam um olhar curioso para essa banda de Nova Iorque, Clem Snide.

No final do mês passado (02/2009) lançaram seu nono disco, Hungry Bird, que fora gravado e congelado desde de 2006. Nada de novo, apenas boas canções, a maioria calmas, uma guitarra semi-barulhenta aqui e ali para pontear pianos, metais sutis, um disco gostoso de ouvir. Como disse acima parece que todas as bandas do dito “alt country” (será que ainda usam este termo?) parecem ter saído de algum momento da carreira de Neil Young.

clem_snide11

Discografia do Clem Snide:

* You Were a Diamond – CD – Tractor Beam Records – 1998
* Your Favorite Music – CD – Sire Records/spinART Records – 1999
* The Ghost of Fashion – CD – spinART Records – 2001
* Soft Spot – CD – spinART Records – 2003
* End of Love – CD – spinART Records – 2005
* Suburban Field Recordings: Volume One/Early Home Recordings: Volume One – MP3/iTunes – SpinArt Records – 2005
* Suburban Field Recordings: Volume Two – MP3/iTunes – spinART Records – 2006
* Have a Good Night: Live Recordings 1999-2005 – Self-released – 2006
* Hungry Bird – Released February 24 2009

Os caras estão em tour pelos EUA e Europa, coloco o link do disco, peguem, antes que o mesmo seja deletado:

http://rapidshare.com/files/210405242/Clem.Snide.Hungry.Bird.2009.DesertEagle.TurkBoardMusic.rar

Abro espaço novamente para um colaborador estimado: o imperador do litoral sul, Liu Sai Yam. Ele já deixou registro por aqui falando de James Brown:

https://klaxonsbc.wordpress.com/2008/11/06/o-china-folgado-falando-do-seu-compadre-negao

Liu pertence ao paraíso dos diletantes (como eu), falamos de tudo e de nada, a responsa é maior: erramos pacas. Sua página na comuna do Nassif prova que o china é corajoso. Expôe-se:

http://blogln.ning.com/profile/LiuSaiYam

Vamos lá, Liu aqui discorre sobre o que mais gosta, o cinema, suas derivações e diálogos . Robert Altman, o homenageado. China escreveu isso no clima do pós-morte de Altman em 2006. O que ele escreveu não tem data, assim como a produção de Robert Altman.

Obrigado Liu!!

Cenas de um grande cinema


A pop-star desfiando lânguida canção country arregala os olhos ao levar um tiro em pleno palco, em Nashville; três garotas ouvem Keith Carradine cantar “I’m easy”, cada qual julgando dedicada a si a canção, no mesmo Nashville; a mãe WASP caipirona da noiva despenca escada abaixo na mansão do pai carcamano do noivo, em Cenas de um Casamento; a soldadesca safada arma uma réplica da Santa Ceia, em MASH; a dona de casa na pior atende com voz sexy o cliente de tele-sexo, ao mesmo tempo em que dá mamadeira ao bebê, enxota o filho que está detonando a casa e cuida de panelas no fogo, em Short Cuts; Neve Campbell fratura o tornozelo em cena aberta, justamente na sua noite de estréia como bailarina-solo, em De Corpo e Alma.

Cenas que não saem da memória, telas vivas com graus tão complexos de significado (em sua aparente simplicidade) que nos marcam feito ferro em brasa, balançando e modificando nossas visões, bagunçando nossas idéias, informando-nos de que há saída para o cinema e, por tabela, para a humanidade. Se cada um desses seres tão frágeis saberá reagir dando a volta por cima, armados de um sorriso ou uma lágrima; por que nós não?

Robert Altman foi herói (por motivos equivocados) de uma geração acuada por guerras-frias, mornas e quentes cuja única saída foi incorporar modalidades várias de desbunde, niilismo, e radicalismo. O debate ideológico intenso produziu vítimas de diferentes estaturas. CCC e TFP contra UNE e CPC, Black Panthers e KKK, MacGovern e Nixon, Khmer Rouge e Unita, esquerda e direita, reacionários e revolucionários todos contra reformistas, revisionistas e conformistas, a maioria silenciosa, a mass media, o ingênuo pacifismo de Hair, a virulência estilizada de Bonnie & Clyde, a desilusão existencial de “Cabaret”, a explosão psicótica de Taxi Driver, o acachapante auto-reconhecimento de Midnight Cowboy e Deliverance, crime como empreendimento familiar em Godfather, até o prenunciar da euforia consumista-yuppie de Saturday Night Fever. Foram tempos de Robert Altman.

Barra, hein? “Paz e amor” pontilhavam o discurso da resistência jovem a um mundo incapaz de oferecer respostas (ou oferecia demasiadas respostas), mas ódios, rachas e quebradeiras faziam parte do cotidiano. A afirmação de uma idéia parecia somente efetivar-se na negação absoluta de todas as outras idéias, e isso explicava a altíssima voltagem com que se confrontavam as ideologias. Pois em meio ao caos se fez arte, grande arte. No caso específico do cinema, pontificaram figuras controversas, profundamente geniais, como Godard, Bertolucci, Buñel, Kubrick, Scorsese, Monicelli, Fellini, Antonioni, Malle, Truffaut, Bergman, Oshima, Kurosawa, Ozu, Pasolini, Glauber, a lista é infindável que bem ilustra a efervescência cultural da época e a proliferação de modos originais de olhar, mostrar e tentar transformar a vida.

Agora, se no conjunto de notáveis acima sempre se pôde detectar um estilo pessoal, uma visão crítica e intenções precisas ao encaminhar soluções político-existenciais aos personagens, tivemos esse grande Altman que, sem prejuízo das qualidades citadas, deixava (parecia deixar) os personagens fluírem por si, e talvez por isso, enquanto os personagens da constelação acima nos incutiam admiração, repulsa, apoio ou inquietação, os de Altman conduziam à cumplicidade e (que seja) afeto.

Com seu estilão meio hippie, de Buffalo Bill misturado a Walt Whitman, figura mais de personagem que diretor, tinha um estilo de alinhar vidas e acontecimentos sem maneirismo nem firulas, liberando rédeas e deixando o ator viver uma vida, como o vôzinho enfileirando “causos” com a naturalidade de um papo à mesa de jantar, recordando e rindo com imensa camaradagem e ternura.

Isto era Altman, lidando com multidões de dezenas de personagens, cada qual com suas fraquezas, seus medos, suas banalidades, cada qual se encorpando aos poucos, adquirindo estatura humana, enfim, existindo. E tudo flui tão fácil que fica tentador tomar o partido dos que o dizem cineasta mediano. Esse raciocínio peca exatamente porque vovô Altman tinha empatia com os seres medianos – nós todos, não é? – e filmar existências medianas conferindo-lhes auras de grandeza não é para qualquer um. Tanto que enquetes entre os próprios diretores sempre apontaram Robert Altman como o preferido da maioria deles.

Porque era visível no trabalho de Altman, a despeito do sarcasmo iconoclasta com que enxergava as relações sociais e o poder (o que lhe deu injusta fama de cético), uma profunda fé no ser humano. Apenas quem crê tem subsídios para zombar e amar, ao mesmo tempo. A arte de Altman de profunda aversão às várias formas de controle, autoridade e hipocrisia está toda centrada na abertura de possibilidades, no princípio de que o homem é animal dotado de humor, capaz de atos mesquinhos, ditados por egoísmo e medo, tanto quanto de impulsivos gestos de audácia e nobreza.

Quando tudo parece perdido nas trevas do horror, acima da desesperança e da perplexidade, de algum lugar haverá de surgir o cantar de uma pequena voz, a princípio trêmula e esganiçada, mas que irá crescer de modo gradual, firme, belo e limpo, a declarar por todos nós: “You may say that I ain’t free, but it don’t worry me”.

Don’t worry, vovô Altman, o sonho (ainda) não acabou.

robertaltmanrip

Sempre a Lima Barreto, pioneiro

e João Antonio, mestre

João Antônio Ferreira Filho nasceu em Presidente Altino, bairro de Osasco em 1937. Jornalista e escritor de estilo agudo e refinado, lançou seu primeiro livro em 1963, Malagueta, Perus e Bacanaço.

Passou a vida entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Por onde esteve captou e registrou o coração das partes “caladas” da cidade, personagens anônimos, situações das ruas, dos botecos de sinuca, da malandragem em tom romântico. Sambas, meninos descobrindo a vida, velhos malandros, jogos, encantos, organismos presentes para dar a vida à sua literatura.

Filho dileto da tradição de Lima Barreto que disse pingente, João era avesso aos formalismos  e simulacros da vida de escritor. A indignação vinha com facilidade e a língua afiada, tanto quanto o escrever, estava sempre pronta a tocar em feridas e comprar brigas inglórias. Observava as situações, as histórias da curríola para traduzir em síntese vidas e coisas da cidade.

Conversei com João Antonio certa vez,  numa dessas bienais insuportáveis bienais do livro. Simpático, franco e sempre disposto a falar bem do mestre Lima Barreto. Poucas palavras. Uma conversa de silêncios, um sorriso, guardo até hoje.

Cabe afimar: João era rigoroso, mestre da concisão e da palavra no lugar certo, cortava palavra, achava a hora, o ponto e dizia tudo. Nada a ver com a história de “escritor de inspiração”, trabalhava o texto, arguia e acha o rumo certo.

No ano de 1996, após quinze dias de sumiços, João foi encontrado morto em seu apartamento em Copacabana. Morreu sozinho e pelo o que se disse já fazia dias. Parou no meio de um dos tantos silêncios. Os amigos não estranharam a ausência, costumava sumir e cair nos abraços e aconchegos de namoradas nos remotos subúrbios do Rio de Janeiro.

Pode ser lenda a morte do João.

Quem sabe tava azeitando algum livro de contos novos que nunca será lançado?

Pela vida venho me deliciando com seus livros:

Malagueta,Perus e Bacanaço (1963), Leão-de-Chácara (1975),  Malhação do Judas Carioca (1975),  Casa de loucos (1976),  Calvário e porres do pingente Afonso Henriques de Lima Barreto(1977),  Lambões de caçarola (1977),  Ô Copacabana (1978),  Dedo-duro (1982),Meninão do caixote (1983),  Abraçado ao meu rancor (1986), Zicartola (1991), Guardador (1992),  Patuléia (1996) e  A Dama do Encantado (1996).

Segue um pequeno trecho de um conto que mais emociona, mesmo depois da enésima leitura, Afinação da arte de chutar tampinhas:

Dias desses, no lotação. A tal estava ao meu lado querendo prosa. (…) Perguntou o que eu fazia da vida. (…) Quase respondi…

– Olhe: sou um cara que trabalha muito mal. Assobia sambas de Noel com alguma bossa. Agora, minha especialidade, meu gosto, meu jeito mesmo, é chutar tampinhas da rua. Não conheço chutador mais fino.

Mas não sei. A voz mulata no disco me fala de coisas sutis e corriqueiras. De vez em quando um amor que morre sem recado, sem bilhete. Ciúme, queixa. Sutis e corriqueiras. Ou a cadência dos versos que exaltam um céu cinzento, uma luva, um carro de praça… se ouço um samba de Noel… Muito difícil dizer, por exemplo, o que é mais bonito – O Feitio de Oração, ou as minha tampinhas.

A mistura dessa gente dá caldo bom: João Antonio, Noel Rosa, Lima Barreto, tá tudo solto por aí, nas ruas, na vida, é só ler, ouvir, caminhar ao lado…

joaoant3

Françoise Hardy nasceu e cresceu em Paris. Na Sorbone estudou Ciências Políticas no início da década de 60, ainda bem que desistiu. Surgiu para a música em 1961 com a canção Tous les garçons et les filles que virou hit atemporal. Françoise atravessou décadas de beleza e sons honestos.

O clipe abaixo é de uma doçura ímpar, inclusive no tem de desajeitado, o sorrisinho envergonhado de Hardy, que expressa um momento onde os artistas ainda não estavam acostumados com videoclips. O último disco da parisiense chama-se Parentheses (2006/Virgin Records).

Bela!!

Para começar bem a semana!

Março de 2009, há 20 anos surgia o sistema www (world wide web), traduzindo para a lingua mátria : rede de alcance mundial. A rapaziada costuma confundir www com internet. Internet é bem anterior ao que se chama de WEB. Começou nos anos 50 sob uma demanda do presidente americano Eisenhauer.

O presidente tinha receio que, num suposto ataque nuclear, o pais ficasse sem comunicação. Assim, encomendou ao Pentagono uma solução (era o auge da Guerra Fria), e daí surgiu a ARPANET e nos seus desdobramentos a INTERNET.

Mais de 30 anos após, surgiria a www, que é um sistema de documentos (textos, videos, audios) que se interligam mutuamente, graças a  isso que estou aqui falando esse monte de abobóra e todos no mundo, se quiserem, podem ler.

O pai da criança: o suiço Tim Berners-Lee, que em 1989 escreveu uma proposta de gerenciamento de documentos para compartilhá-los com amigos. A história do www teve vários desdobramentos após disso, saiba mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/World_Wide_Web

Existe toda uma crítica qualitativa aos caminhos percorridos por esse protocolo, principalmente por parte de Theodor Holm Nelson, o mentor do projeto Xanadu (mas isso é assunto para outro post).

O importante é multiplicarmos e aproveitarmos o lado libertário dessa ferramenta. Informação é poder, e ja faz tempo (muito, muito antes da web), e poder costuma se concentrar nas mãos de poucos, tentemos mudar a lógica perversa.

080707_dayintech_580x

 

Pois é, como alguns sabem por aqui, sou bibliotecário e estou há dezoito anos na área do livro e de formação de leitores. Há dois meses comecei um trabalho no Setor de Fomento à Leitura da Biblioteca Pública de São Bernardo do Campo. São projetos realizados em equipe que visam criar condições para a promoção da leitura e a formação de leitores.

Sábado próximo (14/03) começaremos o projeto MundoLivro, a idéia é fazer uma série de ações nas bibliotecas públicas e em outros espaços da cidade, o foco: livro e leitura como fruição. O objetivo central é trazer as discussões sobre leitura e literatura para o centro da biblioteca pública.

Para coordenar e mediar as atividades dessa primeira fase do projeto, convidamos o poeta Tarso de Melo. O mediador e convidado estarão literalmente em frente as estantes e dela tirarão os subsidios para essa palestra/bate papo.

Cada convidado se concentrará em alguns autores para a conversa. O MundoLivro quer simplicidade: focalizar a leitura como elemento principal e desencadear o debate e o bate papo.

O primeiro encontrará trará o editor e escritor Reynaldo Damazio falando dos argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar.

Todos estão convidados!!

Horário: 15:00 hs.

Local: Biblioteca Monteiro Lobato – Rua Jurabatuba, 1415 – Centro – SBC – tel: 4332-9698 /

email: fomentoleitura@gmail.com

14/3 – Reynaldo Damazio (Borges & Cortázar)

18/4 – Donizete Galvão (Guimarães Rosa)

16/5 – Carlos Felipe Moisés (Mário de Andrade)

20/6 – Dalila Teles Veras (Fernando Pessoa)

mundolivro

Eu não sou corintiano, que fique bem claro, nem vou entrar no ufanismo badauê da globo. Mas gostei do gol que o Ronaldo acabou de fazer no jogo contra o Palmeiras. Quem aprecia, e ainda acredita no futebol, deve ter ficado contente. O cara se supera. É um tapa na cara do discursinho falso moralista em voga nos dias de hoje. Carrões, mulheres badaladas, travestis, baladas, e todo o “glamour”, são apenas coadjuvantes na vida do “Ronalducho” (pelo menos na parte que nos interessa), o gol é protagonista. O gol é o objeto direto do futebol.

Como diria Jorge Ben:  HOMEM GOOOL!!!

Ronaldo e Jorge Ben para a semana começar!!!

brasil091xi

%d blogueiros gostam disto: