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Arquivo mensal: março 2014

As manhãs eram frias na cidade pé de serra nos anos 70. Eu entrava às 7 de manhã na escola. As mais nítidas lembranças são o guarda pó (avental) branco e os hinos de apologia à ditadura civil militar cantados nas filas antes da entrada nas salas, um deles ficou nítido apesar dos anos passados:

“trinta e um de março consagrou

lá, lá, lá, lá…”

E seguiu o tempo, já não há mais na grade curricular a cavernosa “Educação Moral e Cívica”  e também os estudantes de hoje não são obrigados a cantar canções compulsórias e mentirosas para dar início aos seus dias. 

Por outro lado, o entulho autoritário, o legado deixado pela era dos hinos e das morais e cívicas, persistem em nossa sociedade. O Estado e a Sociedade atravessam e não superam uma longa transição onde supostamente se abandonamos o período autoritário e consolidamos a democracia, mas não há quebra de vínculo.

Sabemos todos que o autoritarismo nunca cessou, ele sempre resistiu na violência e arbrietariedade estatal  com a população negra da periferia, com a mulher, com o homossexual, com o pobre e se fragmenta em outros autoritarismos menos evidentes mas igualmente contundentes.

A ditadura ainda está expressa e atua muito além das  palavras e dos atos de saudosos, reforçados por aqueles que não a viveram, mas insistem em evocá-la. Não é apenas simbólica está evocação, ela real e afeta as nossas vidas. Portanto, o deprimente 31 de março é data não para esquecer, mas para lembrar que nunca devemos abrir mão de nossa liberdade.

Nunca mais canções forçadas, ditadura nunca mais!
golpe1964

 

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