“O ballet de aço”


Um dos tabus da casa da Rua Ipiranga era nunca ver tv após as 23:00. Claro, ninguém obedecia.

Dia de semana, madrugada do dia 30 de outubro de 1974. Todos falavam da luta do século. Muhamadi Ali x George Foreman no zaire.

O primeiro era uma verdadeira lenda, rebelde, peitou o governo dos eua ao se recusar a servir o exército na guerra do vietnã.

Foi ameaçado, afastado do boxe, mas venceu. Talvez, o maior esportista do século XX.

O adversário George Foreman era uma potência, forte, campeão olímpico em 1968, uma carreira de muitos nocautes.

Ali, que estava há três anos sem lutar oficialmente, entrava em grande desvantagem.

Não vou tentar nenhuma narrativa da luta, pois a distância do tempo e o registro do primoroso texto “A luta” de Norman Mailer, não me permitem.

Ali foi entretendo Foreman, que era mais forte, por oito rounds. Dançava, pulava, caçoava, apanhava. Foreman, cansado, vacilou e foi a nocaute.

Um dos maiores símbolos da black power venceu.

Eu, nos meus oito anos de idade me diverti com as sarrices de Cassius Clay aka Muhamadi Ali, sua dança, seu boxe leve pesado, um ballet de aço.

Meu irmão vibrava e comentava. Éramos os rebeldes da madrugada.

Com o tempo aprendi quem realmente foi Ali. Que ele é muito mais que socos e jabs.

Muhamadi Ali nos deixou na última madrugada e me fez lembrar daquela madrugada do ano de 1974, quando eu, ele e o mundo, vencemos.

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