Nos “Cadernos do Cárcere” Gramsci afirma que o plano ético-cultural, a expressão de saberes, as práticas culturais, modos de representação e modelos de autoridade junto com a estrutura econômica e a organização política são elementos centrais para se obter a hegemonia dentro de uma sociedade.

As discussões sobre a chamada ideologia de gênero e da escola sem partido, pautadas pela direita de forma sistemática nos últimos tempos, não são apenas um delírio retrógrado fruto de pensamentos exótico, antes de tudo, elas colocam uma disputa por hegemonia.

É uma forma de impor e determinar um debate no campo cultural e educacional através de valores que irão moldá-lo, a novidade é a proatividade e a rapidez em ocupar os espaços políticos, tática que sempre fora utilizada pela esquerda, e que a direita está se apossando de forma produtiva e orgânica no campo do legislativo.

Há uma militância aguerrida – principalmente ligada às igrejas católica e evangélica, mas não só, uma prova disso é a força que os dois assuntos está ganhando na mídia – pronta para fazer barulho e exercer pressão em câmaras municipais, assembleias legislativas e no congresso.

Quem acompanhou as votações dos planos municipais e nacional de educação no tocante a questão do que eles chamam ideologia de gênero sabe muito bem do que estou falando.

Este é um assunto que deve ser tratado como prioridade pelo campo progressista, pois a direita está muito bem articulada. Se a educação não é uma prioridade e não é considerada estruturante, nos curvemos então ao sabor dos fatos.


A cidade engole algumas práticas, lugares, profissões, costumes. Há alguns anos o que era andar por São Paulo sem pensar numa loja de discos? Eu mapeava a cidade pelas lojas.

O Centro era a mina de ouro das opções discográficas.

Aos mais preguiçosos e objetivos o caminho suave eram as galerias da 24 de Maio, Barão de Itapetininga e Sete de Abril, Nova Barão.

Lojas segmentadas de rock, jazz, black, samba, metal, alternativos, as ecléticas e as supreendentes, aquela que do nada, no meio de um monte de obviedades, achava-se o que o desejo apenas intuia.

Mas era nas bordas, nas lojas de rua, era na caminhada que a satisfação brotava. Tudo reluzia, as prateleiras eram abarratodas e as surpresas estavam lá, no meio da massa da música das massas.

Eram as lojas de rede, Cartaz, Seis de Ouro, algumas sem nome e outras que não lembro mais, lojas populares de acervo variado.

No Parque Dom Pedro, no caminho entre o Largo do Paisandu e o Correio. Na Rio Branco, Duque de Caxias, na Ipiranga, São João, Senador Queirós, nas bordas da Estação da Luz, no Brás, tanto lugar.

A vantagem dessas lojas era que os vendedores e os donos não eram os caras rabujentos ou blasés das lojas especializadas. Geralmente nordestinos, eram simpáticos, pessoas simples, queriam vender e conheciam discos e música, genericamente, mais conheciam.

Acabou esse tempo.

Restam hoje, alguns remanescentes, vejo aqueles rostos conhecidos nas ruas, no improviso, trabalhando com discos do jeito que dá, nas calçadas, sem as velhas lojinhas, fazem o que sabem, o que aprenderam na vida.
E ainda sorriem…

Os autodeclarados ministros “apartidários” de temer – serra (relações exteriores) e callero (cultura) – são tão apartidários quanto os mercenários teens do MBL.
Sobre o serra nem há o que comentar.
No seu discurso de posse, marcelo calero reiterou o que havia dito dias antes: que é a cultura não deve estar a serviço de nenhum partido, que ele assume em nome do partido da cultura.
No palco estavam sarney, eliseu padilha, mendonça filho, na platéia marconi perillo, governador de goiás. Todos apartidários e ungindo o ministro na sua posse.
Não existe discurso mais dissimulado do que esse do “partido da cultura”, notadamente vindo de alguém que assume um ministério.
Não há nada na dimensão pública que funcione à revelia das forças políticas constituídas dentro de partidos, gostemos ou não.
Uma política cultural, uma plataforma depende diretamente dos programas partidários, isso é o óbvio numa democracia representativa.

Afirmar isso não é negar a interlocução com forças partidárias contrárias ou com a sociedade civil.

Se o regime mudou para a total autocracia ou na antípoda para uma democracia direta e foram excluídos os partidos, me avisem, por favor, pode até ser que eu esteja desatualizado.
Usar o termo “partido da cultura” é negar as decisões e as forças que determinaram a própria condução do ministro para a sua pasta. Que aliás, foi fruto de uma trama suprapartidária que envolveu DEM e PMDB, partidos políticos ou não?
O fato dos ministros de temer quererem apartidarizar suas pastas é mais um sintoma da falta de legitimidade desse governo.

Quando eu era moleque e vivia na Vila São João lá em São Bernardo do Campo eu vivia fazendo guerra de mamonas com os meus camaradas.

Estilingue, mamona e bolso largo e a guerra tava pronta. Em campo aberto no meio da rua ou dentro de alguma casa abandonada, os dois exércitos criavam suas táticas e estratégias.

As regras a gente criava na hora para estabelecer a quantidade de vidas e a morte final. Uma máxima valia para todas essas batalhas: deixar a poeira baixar, o adversário relaxar e ir pra cima. Era só esperar um pouco e partir para o ataque.

Nesse momento, a poeira está baixando no Palácio do Planalto e a gente pode ver de tudo como na época da guerra de mamonas. Quem saiu fora, quem entrou, quem ficou para colaborar com os golpistas, quem tá louco para entrar.

É a vida de menino que cresce, fica velho e descobre que a guerra de mamonas nunca acaba, ela só perde a inocência.

mamona

Daqui eu vi o mundo crescer e cresci desde 1973, casa da mãe.
Era uma rua de poucas casas. Uma chácara, vários terrenos baldios, muito lugar pra brincar.

O mundo cresceu rápido e as coisas viviam desaparecendo para aparecer de outro jeito.

A casa da frente, era casa da dona Eliete, mãe do Alexandre e do Adriano, amigos de infância.

Hoje é essa placa de lançamento especulando o futuro.

Do passado, apenas essas lembranças.


 

Não há como duvidar da força das palavras. A palavra pode fazer ruir, renascer, enaltecer, desaparecer, prover, estancar, privar. A escolha das palavras abre e fecha universos . A palavra escolhida da hora é rombo. 
Rombo virou assunto e explicação, nexo. Existem vários rombos disponíveis. O que se quer impor no momento é o rombo das contas públicas. É o rombo imposto com alarde. A velha ladainha do cobertor curto, que aparece do nada sem revelar quem de fato roubou a sua lã. 

Mas, ontem apareceu um outro tipo de rombo. Um rombo de dois meses. Dito assim, parece pouco. Foram dois meses para aparecer uma gravação que abriu um rombo na narrativa do impeachment. 

Senador Jucá, um dos artífices do golpe, o homem de Temer, na conversa com Sergio Machado, expôs varios rombos. Ainda supostos rombos, porém ditos. 

Rombo no judiciário, no executivo, na mídia, nas forças armadas, o rombo do Aécio, pelo dito, por todos conhecido. São várias perguntas a serem respondidas por uma rede de rombos que quer se vender como salvação nacional. 
Querem impor o rombo do arrocho, do desemprego, da perda de direitos como remédio amargo inquestionável e escondem nos próprios rombos as verdadeiras intenções. Pensemos melhor sobre os rombos.

A seguinte narrativa está sendo imposta pelo governo temerário: a gestão Dilma gastou mais do que devia, há um rombo orçamentário e o deficit fiscal estourou. 
O rombo, claro, é por conta da gastança desordenada.

É a criminalização econômica mesclada a demonização da prioridades orçamentárias “erradas” do governo petista (leia-se área social).

Junte isso à propalada inabilidade política de Dilma e está desenhada a tragédia. Soa como um pastelão neoliberal, mas cola.

A ditadura vai se impondo pelo medo, pelas mentiras somadas às meias verdades, pelos boatos e pela repressão. Um exemplo disso é o golpe que não pode ser nomeado como golpe.

Assim, vai silenciando todas as vozes que poderiam ser contrárias.

Para as medidas amargas da economia o mote é: precisamos fazer o mal por causa do legado maldito do pt. Jogada antiga.

Isso ja esta na boca do povo, pelas mãos da globo, globonews, e manchetes distorcidas de jornais e portais, os veículos oficiais

Em paralelo a lavajato cumpre seu fado: Lula, Lula, Lula.


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